sexta-feira, 7 de maio de 2010

SYD, Pink Floyd Cover


Retornando às postagens, após longo e tenebroso período de recolhimento e dedicação aos estudos, resolvi hoje falar novamente de um ponto de nossa história de que me orgulho muito: a meteórica trajetória daquela que foi, sem dúvida alguma, o grupo musical columbiano com maior destaque na mídia: o SYD. Formado nos idos de 1991, com a ideia de ser uma banda cover de um dos ícones do rock progressivo mundial, o Pink Floyd, o SYD viveu reais dias de glória entre os anos de 91 a 94, quando seus membros decidiram o fim da banda.
A banda foi formada por algumas figurinhas carimbadas do rock columbiano: Zé Augusto (guitarra) já era veterano de bandas como o Palma da Mão e o AWGS 31/6; Luís (bateria) também tocara no AWGS 31/6. A eles se juntaram dois caras meio que novatos no ramo: Caius no vocal (o nome é Zé Augusto também, mas tinham que diferenciar de algum jeito, né?Daí que alguém bolou um nome romano pro cara, pensando no imperador Caius Augustus); e Mauro (teclado). Daí só faltava um baixista e, após uma série de testes com uma galera - eu inclusive - a escolha do grupo recaiu sobre o Jorge, um cara da Pavuna que também já tinha tocado num monte de bandas por lá. A banda começou, como todas, ensaiando pra caramba, mas a música do Floyd não é algo fácil de tocar, e, enquanto uma banda comum ensaia, tranquilamente, 20 músicas por mês, quando o assunto é Pink Floyd a gente tem que botar a mão pro céu se conseguir ensaiar 5. Daí que, no seu primeiro ano de atividades, o SYD - que tem esse nome em homenagem ao fundador do PF, o guitarrista Syd Barrett - praticamente só ensaiou, e apenas quando já tinha um repertório muito bem ensaiado, é que começou a, como toda banda de bairro, a animar festas na casa de amigos.
Mas não é em qualquer festa que rola o som do Pink Floyd. Daí que, era mais que necessário arranjar lugares para tocar: e toma de fazer umas festas extras na Associação de Moradores, pra que a gente ouvisse muito rock - e o SYD pudesse tocar.
Instaurou-se aí uma saudável competição entre as bandas do bairro: todo mundo queria tocar pra caralho, pra poder competir com o SYD! E toma de Clóvis da Noite abrindo show na Amacomerge tocando "Stairway to Heaven! (Pô mermão, tocar Led Zeppellin quando a galera ainda está careta é sacanagem!...)
Em janeiro de 1993 nós tivemos também o Colúmbia Rock Festival, evento no qual o SYD foi uma das bandas de maior destaque, principalmente quando o Caius - até então conhecido no bairro por ser um pacato rapaz evangélico, começou a cantar e correr pelo palco e dar um mosh na galera e sair correndo pelo e escalar a torre de som, teve crente dizendo que ele acabava de comprar sua passagem pro Inferno...
Bom, acontece que o Jorge, que nas horas vagas era ativista no Sindicato dos Bancários, contatou o referido sindicato e o SYD foi, numa bela noite de janeiro de 1993, tocar no Bar dos Bancários, na Pres. Vargas: um calor do cão e a gente lá prestigiando a banda, que acabou quebrando, naquela noite, todos os recordes de público do referido bar. (E secou toda a cerveja também, que os caras do botequim tiveram que encomendar às pressas, buscando sabe-lá-Deus-onde) Aquele show só acabou lá pelas 2 da manhã e até hoje eu não sei como foi que cheguei em casa...

Em março, quando houve o dissídio da categoria, os bancários ameaçaram entrar em greve e lá foram os intrépidos membros da banda tocar numa passeata em plena Avenida Rio Branco. O sucesso foi enorme, e o pessoal do sindicato filmou tudo e transformou em clipe - sei quem ainda tem uma velha cópia em VHS, se um dia eu conseguir uma versão pra mim, eu juro que posto aqui.
Claro, o sucesso da banda fez com que ela voltasse a tocar no botequim dos bancários, a fazer mais alguns shows pelo bairro, etc. Mas logo as possibilidades de exibição da banda, aqui no Colúmbia, ficaram esgotadas. Daí, os caras fizeram o que todo mundo faz, nesses casos: voltaram a ensaiar material novo e também a buscar novos lugares pra tocar.
Contudo, em princípios de 1994 as coisas começaram a mudar pra banda: o baterista abriu uma sorveteria, a Brabota - que será motivo de um post, no futuro.
A saída do Luís trouxe uma dificuldade pra banda, já que não é qualquer baterista que se identifica com o som do Pink Floyd... Diversos caras foram testados e tentados, mas ninguém se fixava no SYD por muito tempo. O baixista foi demitido do banco; o que sempre desestrutura o cara... e, no seu novo emprego, ele não tinha muito tempo de sobra pra ensaiar...
Mas o pior viria em seguida, um famoso bar do Largo do Bicão, a "Taberna do Pirata", convidou a banda pra tocar lá todas as 5ªs e 6ªs, com contrato, cachê e tudo o mais!!! Lógico, os caras ficaram de, fazendo uma reunião, decidir sobre o assunto... Foi quando a esposa do guitarrista disse pra ele: "Você não vai me deixar em casa duas noites por semana, com criança pequena, pra tocar lá naquele fim de mundo, por causa de um dinheiro que a gente precisa e isso logo nas duas noites que eu tenho psicólogo e dentista... né?" O sujeito, que sempre foi gente boa, mas um tremendo pau-mandado da mulher, chegou na reunião dizendo que não, que não ia tocar, que tinha família, precisava estar com a mulher, etc. E, pra finalizar, que música pra ele era um hobby e que sua vida mesmo era ser mecânico de automóveis ou dirigir caminhão...
Foi aí que o Caius pulou nas tamancas e disse: "Mermão, aqui só tem pobre, e pobre não tem Robin não cumpadi, pobre só tem é Batman!" e, nesse momento, além de inventar um trocadilho impagável, decidiu deixar a banda e levar consigo sua parte da aparelhagem: microfone e amplificadores...
Isso foi a pá-de-cal, já que o Caius era o único que dominava inglês o suficiente pra cantar na banda... O resultado, foi que a banda se desfez de vez: o Mauro, que tinha aprendido teclado só por causa da banda, foi militar no movimento negro, estudar na PUC, fazer política e agora é candidato a deputado estadual... O Caius casou, tem um moleque e leva sua pacata vida de cidadão, o Luís vendeu a sorveteria, abriu um restaurante, que depois vendeu e, me parece, mora agora em Pernambuco. E o guitarrista, cuja esposa foi o estopim da crise, separou-se da criatura, está re-casado tem um caminhão e faz mudanças...u

2 comentários:

  1. Eu rachei de rir com o crente! haha
    "o baterista abriu uma sorveteria"
    E mesmo eu não sendo muito a favor da tentativa da banda de acabar com uma família (o guitarrista e a esposa que ia toda semana ao psicólogo), achei uma pena vocês não estarem no Jô nesse momento ;)
    Isso que é um fim trágico pra história da música!

    ResponderExcluir
  2. Eu apenas queria levara coisa para o lado mais profissional não como brincadeira. Minha saída foi avisada com 6 meses de antecedência aos membros da banda. O recurso de gritar no show dos bancários foi uma coisa premeditada para acordar o povo que estava meio letárgico ( alguns em estado alucinatório). Não se compra bilhete para o inferno, é gratuito. No passado fazia papel de ligeiramente louco e hoje faço papel de pai de família.

    ResponderExcluir